O tempo avançava e com
ele, as descobertas... Uma
delas foi descobrir que, afinal, haviam mais brasileiros por aqui, alguns,
inclusive, ja residiam por terras de Moçambique desde os tempos dificeis da
ditadura militar, ou seja desde o fim dos anos 60. Mas esse aspecto não contou muito
a nosso favor, visto que pareciam compor um grupo “fechado” que não demonstrava
muita “vontade” em receber ou mesmo incorporar novos “conterrâneos”. Portanto,
caía por terra a informação de que “lá tem mais brasileiros para apoiar, vocês
não vão se sentir sozinhos”. Esse apoio, nós encontramos em pessoas que viemos
a conhecer aqui, moçambicanos, portugueses, os nossos “conterrâneos” viemos a
conhecer e até “ser aceitos” muito tempo depois. Mesmo os outros brasileiros,
que haviam chegado na mesma altura que nós, por estarem ligados à projeto
diferentes, viviam próximos em prédios ou condominios e também mantinham alguma
distância. Foram meses de quase que completo isolamento de “brasileiros”, que
nos proporcionou grandes lições e aprendizado. E esse “isolamento” resultou num
convivio maior entre nós os 4, dando o verdadeiro sentido de “familia” ao nosso
pequeno agrupamento de aventureiros-brasileiros-em-Moçambique. Somente após
quase 4 meses, depois de passarmos por encontros regulares, especialmente nos
fins de semana, na praia da “Costa do Sol” ou no “Clube Naval”, é que começamos
a nos entrosar com os os “conterrâneos” e a fomentar boas relações de amizade,
algumas ainda bem activas, por estarmos juntos por aqui até hoje, após esses
longos 26 anos.
 |
| Praia da Costa do Sol |
Esse “afastamento” de
brasileiros que, a princípio, nos frustava, resultou num bom aprendizado porque
nos “forçou” a conhecer outras pessoas, outras culturas, habitos e isso nos ajudou
muito a crescer, extrapolando aquela noção que “somos os melhor povo sobre a
face da terra, mais alegre, mais hospitaleiro”…. mas também mais orgulhosos e,
talvez até petulantes. Pudemos reconhecer que era possivel sobreviver sem apoio
de conterrâneos “brazucas”, que existiam pessoas com habitos e culturas tão
diferentes da nossa mas com inúmeras qualidades, nos ensinou a respeitar as
diferenças e nos adaptar ao novo meio, mescla de culturas afro-portuguesas. Foi
um periodo intenso de aprendizado, e refletia bem o que havia ouvido de um
brasileiro, naquela altura: “Africa não se explica, se vive”!
 |
| Manguezal na Praia da Catembe |
Com o passar dos anos,
pudemos constatar bem essa afirmação. E, após todo esse tempo, até já consigo
explicar alguns aspectos, mas creio que nunca , nenhum de nós 4, seremos
capazes de entender em profundidade a riqueza desse povo africano. Acho que nem
entendemos o nosso próprio!
 |
| Vista da janela do quarto, da Av. E. Mondlane - 2014 |