Pouco tempo depois de
chegarmos… sim, pois viemos
todos! Era essa a condição do CH, frente aos meus inúmeros argumentos para
que ele viesse sozinho, por uns tempos, depois eu e as meninas viríamos… Será
mesmo? Não sei.
Mas ele estava certo, pois constatamos que muitos dos estrangeiros que
haviam se aventurados sozinhos nessa terra, passavam por muitas dificuldades,
inclusive o convívio com a solidão… mas tinham outras regalias, como se ver
livres para curtir o bom salário e outras facilidades do contrato de trabalho,
e as “benesses” entre os locais. Essas “regalias” provocavam, na maioria das
vezes excessos de varias ordens, inclusive de bebidas e sexuais, que resultavam
em relações duplas, rompimentos de casamentos “sólidos” ou mesmo constituição
de famílias moçambicanas J
Mas retomando ao assunto inicial, algum tempo depois da nossa chegada, a
realidade local começou a ser fazer mais presente em confronto com a realidade “criada”
pelos nossos anfitriões – os suecos que se mostravam mais atuantes que os
brasileiros, ambos responsáveis pela nossa vinda, representantes das empresas
que haviam contratado o CH. Apesar de
todos os esforços em nos acomodar “adequadamente” em apartamentos que tinham de
tudo, desde gerador para termos energia todo tempo, apesar dos cortes
frequentes, do mobiliário de 1ª, eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho
novos, ou seja perfeitos! Por dentro, porque mal se abria a porta se constatava
a “realidade” de sujeira, lixo e ratos por toda a parte, escuridão por falta de energia, agua nas
escadas… gentes na rua que ao nos ver pareciam estar vendo ET´s… era engraçado
ver as crianças locais, se aproximarem das meninas, com os seus longos cabelos
castanho-claro, e passar as mãos por eles… acariciando como se fosse um “bicho-de-pelúcia”,
sem o menor constrangimento, bem próprio de crianças. As nossas, achavam graça
de inicio mas depois se sentiam mal, ao se ver rodeadas de outras crianças
desconhecidas e que riam muito ao tocar nos seus cabelos…. Com isso, tivemos
que evitar andar a pé em certas áreas, para tentarmos passar “desapercebidos”,
como pessoas normais, semelhantes aos habitantes locais. Era uma situação bem
própria, quase constrangedora.

Com isso, passamos a conviver mais com outros “estrangeiros”, “cooperantes”
como éramos todos chamados pela população local, mesmo pelos recém-conhecidos-amigos
moçambicanos. Assim, passamos a nos locomover mais de carro, frequentar restaurantes
e os poucos clubes que existiam, com as mínimas condições de receber as
pessoas, como o Clube Naval, onde passávamos quase todos os fins de semana, a
curtir piscina, beber cerveja, muito forte por sinal – “BLACK LABEL", "LION”, “CASTLE” e
outras marcas sul-africanas, carregadas na cevada e no álcool – bem diferente
da nossa SKOL, BRAHMA ou do chop, clarinhos e levizinhos que havíamos deixado pra trás dos quais
tínhamos taaaaaaaantas saudades. Mas tinham os camarões, ameijoas (das quais
nunca tinha ouvido falar ou mesmo provado), lulas, bons peixes e até lagostas,
com fartura! Ou seja, não havia muito sofrimento nisso, pelo contrario J
Lagostas à vontade.... :)