quinta-feira, 29 de junho de 2017

Pouco tempo depois de chegarmos… sim, pois viemos todos! Era essa a condição do CH, frente aos meus inúmeros argumentos para que ele viesse sozinho, por uns tempos, depois eu e as meninas viríamos… Será mesmo? Não sei.

Mas ele estava certo, pois constatamos que muitos dos estrangeiros que haviam se aventurados sozinhos nessa terra, passavam por muitas dificuldades, inclusive o convívio com a solidão… mas tinham outras regalias, como se ver livres para curtir o bom salário e outras facilidades do contrato de trabalho, e as “benesses” entre os locais. Essas “regalias” provocavam, na maioria das vezes excessos de varias ordens, inclusive de bebidas e sexuais, que resultavam em relações duplas, rompimentos de casamentos “sólidos” ou mesmo constituição de famílias moçambicanas J

Mas retomando ao assunto inicial, algum tempo depois da nossa chegada, a realidade local começou a ser fazer mais presente em confronto com a realidade “criada” pelos nossos anfitriões – os suecos que se mostravam mais atuantes que os brasileiros, ambos responsáveis pela nossa vinda, representantes das empresas que  haviam contratado o CH. Apesar de todos os esforços em nos acomodar “adequadamente” em apartamentos que tinham de tudo, desde gerador para termos energia todo tempo, apesar dos cortes frequentes, do mobiliário de 1ª, eletrodomésticos, roupas de cama, mesa e banho novos, ou seja perfeitos! Por dentro, porque mal se abria a porta se constatava a “realidade” de sujeira, lixo e ratos por toda a parte,  escuridão por falta de energia, agua nas escadas… gentes na rua que ao nos ver pareciam estar vendo ET´s… era engraçado ver as crianças locais, se aproximarem das meninas, com os seus longos cabelos castanho-claro, e passar as mãos por eles… acariciando como se fosse um “bicho-de-pelúcia”, sem o menor constrangimento, bem próprio de crianças. As nossas, achavam graça de inicio mas depois se sentiam mal, ao se ver rodeadas de outras crianças desconhecidas e que riam muito ao tocar nos seus cabelos…. Com isso, tivemos que evitar andar a pé em certas áreas, para tentarmos passar “desapercebidos”, como pessoas normais, semelhantes aos habitantes locais. Era uma situação bem própria, quase constrangedora.


Com isso, passamos a conviver mais com outros “estrangeiros”, “cooperantes” como éramos todos chamados pela população local, mesmo pelos recém-conhecidos-amigos moçambicanos. Assim, passamos a nos locomover mais de carro, frequentar restaurantes e os poucos clubes que existiam, com as mínimas condições de receber as pessoas, como o Clube Naval, onde passávamos quase todos os fins de semana, a curtir piscina, beber cerveja, muito forte por sinal – “BLACK LABEL", "LION”, “CASTLE” e outras marcas sul-africanas, carregadas na cevada e no álcool – bem diferente da nossa SKOL, BRAHMA ou do chop, clarinhos e levizinhos que havíamos deixado pra trás dos quais tínhamos taaaaaaaantas saudades. Mas tinham os camarões, ameijoas (das quais nunca tinha ouvido falar ou mesmo provado), lulas, bons peixes e até lagostas, com fartura! Ou seja, não havia muito sofrimento nisso, pelo contrario J
 
 


 
Lagostas à vontade.... :)
 
 

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