segunda-feira, 24 de julho de 2017

O tempo avançava e com ele, as descobertas... Uma delas foi descobrir que, afinal, haviam mais brasileiros por aqui, alguns, inclusive, ja residiam por terras de Moçambique desde os tempos dificeis da ditadura militar, ou seja desde o fim dos anos 60. Mas esse aspecto não contou muito a nosso favor, visto que pareciam compor um grupo “fechado” que não demonstrava muita “vontade” em receber ou mesmo incorporar novos “conterrâneos”. Portanto, caía por terra a informação de que “lá tem mais brasileiros para apoiar, vocês não vão se sentir sozinhos”. Esse apoio, nós encontramos em pessoas que viemos a conhecer aqui, moçambicanos, portugueses, os nossos “conterrâneos” viemos a conhecer e até “ser aceitos” muito tempo depois. Mesmo os outros brasileiros, que haviam chegado na mesma altura que nós, por estarem ligados à projeto diferentes, viviam próximos em prédios ou condominios e também mantinham alguma distância. Foram meses de quase que completo isolamento de “brasileiros”, que nos proporcionou grandes lições e aprendizado. E esse “isolamento” resultou num convivio maior entre nós os 4, dando o verdadeiro sentido de “familia” ao nosso pequeno agrupamento de aventureiros-brasileiros-em-Moçambique. Somente após quase 4 meses, depois de passarmos por encontros regulares, especialmente nos fins de semana, na praia da “Costa do Sol” ou no “Clube Naval”, é que começamos a nos entrosar com os os “conterrâneos” e a fomentar boas relações de amizade, algumas ainda bem activas, por estarmos juntos por aqui até hoje, após esses longos 26 anos.

Praia da Costa do Sol

 
Esse “afastamento” de brasileiros que, a princípio, nos frustava, resultou num bom aprendizado porque nos “forçou” a conhecer outras pessoas, outras culturas, habitos e isso nos ajudou muito a crescer, extrapolando aquela noção que “somos os melhor povo sobre a face da terra, mais alegre, mais hospitaleiro”…. mas também mais orgulhosos e, talvez até petulantes. Pudemos reconhecer que era possivel sobreviver sem apoio de conterrâneos “brazucas”, que existiam pessoas com habitos e culturas tão diferentes da nossa mas com inúmeras qualidades, nos ensinou a respeitar as diferenças e nos adaptar ao novo meio, mescla de culturas afro-portuguesas. Foi um periodo intenso de aprendizado, e refletia bem o que havia ouvido de um brasileiro, naquela altura: “Africa não se explica, se vive”!
 
Manguezal na Praia da Catembe
 
Com o passar dos anos, pudemos constatar bem essa afirmação. E, após todo esse tempo, até já consigo explicar alguns aspectos, mas creio que nunca , nenhum de nós 4, seremos capazes de entender em profundidade a riqueza desse povo africano. Acho que nem entendemos o nosso próprio!

Vista da janela do quarto, da Av. E. Mondlane - 2014

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